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A Rússia prepara seu maior exercício militar desde a Guerra Fria. Quais as implicações para o mundo?

A Rússia prepara seu maior exercício militar desde a Guerra Fria. Quais as implicações para o mundo?

Conteúdo postado em 20/09/2018

Olá, sapientes!


Na coluna de atualidades desta semana, vamos te levar para o Extremo Oriente — no leste siberiano, mais exatamente.
Foi lá que, entre os dias 11 e 17 de setembro, ocorreu o Vostok 2018 (não, não confunda com certas operações da polícia). A Vostok foi um exercício militar russo em que se esperava contar com mais de 300 mil pessoas, apoiadas por 36 mil blindados e mais de mil aeronaves.


Os números impressionam: foi o maior exercício militar russo em tempos de paz em mais de três décadas. A última operação desse porte foi durante a Guerra Fria, em 1981. Na ocasião, a então União Soviética deslocou cerca de 200 mil membros das Forças Armadas para a Polônia.


Mas afinal: quais os objetivos russos com uma operação desse tamanho? E como outros players globais veem essa movimentação?

 

Fins militares


Exercícios militares em grande escala são realizados anualmente pela Rússia, revezando entre seus quatro comandos (Leste, Cáucaso, Central e Oeste). Vostok, em russo, significa Leste.


Tais exercícios já são tradicionais desde os tempos soviéticos. A novidade deste ano, contudo, é que em vez de “combater” um inimigo imaginário, as tropas serão divididas em dois grupos que irão “lutar” entre si.
Além disso, o exercício deste ano também terá como foco o treinamento para deslocamentos de grande escala por grandes distâncias, especialmente entre o Extremo Leste russo e o Pacífico. O exercício busca, assim, otimizar questões logísticas.


Outra novidade é que outros países também estão envolvidos; nesse caso, Mongólia e China. Segundo dados oficiais, o efetivo chinês enviado foi de cerca de 30 mil.

 

Implicações para o mundo


Com o Vostok 2018, a Rússia demonstra uma tendência dos últimos anos nas relações internacionais: a guinada ao Pacífico, região que passa a ter cada vez mais importância geopolítica. O foco no deslocamento logístico de tropas expõe a relevância dada ao oceano.


Além disso, não se deve menosprezar a participação chinesa: segundo o ministro da Defesa da República Popular da China, o intuito é fortalecer as relações sino-russas, bem como adquirir experiência em táticas de combate, algo que a Rússia vem pondo em prática frequentemente com sua atividade na Síria.


O apoio chinês também serve para dirimir expectativas de atritos fronteiriços entre os dois gigantes do Oriente. Mais que isso: é um claro recado de cooperação, o que pode, inclusive, ensejar futuras alianças.

 

O exercício certamente não diminui as tensões já acirradas entre a Rússia e o Ocidente, mais precisamente a Otan. Moscou sofre sanções econômicas de Washington desde 2014, quando ocorreu a anexação da Crimeia (e que foram recentemente ampliadas pelo presidente Trump). Além disso, desde o caso do envenenamento de Sergei Skripal, as relações com a União Europeia também vêm se deteriorando rapidamente.

 

Ainda que não haja qualquer conflito declarado entre esses dois lados, chama a atenção a escolha russa por um exercício de tão grande porte em tempos de paz, bem como o apoio prestado pela China. No fim das contas, o exercício pode não ser mais do que isso — um treinamento —, mas certamente suscita questões sobre o futuro das relações internacionais.

 

Ficou curioso(a)? Saiba mais aqui:


BBC: Como serão os megaexercícios militares da Rússia, os maiores desde a Guerra Fria
Folha de S.Paulo: No primeiro dia de exercício militar, Rússia e China enviam sinal aos EUA
Washington Post: 5 things to know about Russia’s Vostok-2018 military exercises

 

Até a próxima!

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