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Eleições presidenciais venezuelanas: sem legitimidade da oposição e da comunidade internacional

Eleições presidenciais venezuelanas: sem legitimidade da oposição e da comunidade internacional

Conteúdo postado em 22/05/2018

Olá Sapientes! Como vocês estão no tema atualidades?

 

No último domingo, dia 20 de maio, houve eleições presidenciais na Venezuela, com mais uma recondução de Nicolás Maduro ao cargo de Presidente da República para um mandato de 06 anos. De fato, este resultado não gerou grandes surpresas para a oposição venezuelana, já que não houve uma representação significativa desta, muito menos para a comunidade internacional já que diversas irregularidades foram observadas durante o processo eleitoral, dentre elas: compra de votos, ameaças e intimidação de eleitores, boca de urna e uma forte abstenção, o que gerou a ameaça de sanções de alguns dos principais atores da comunidade internacional, como Estados Unidos e Europa. O processo eleitoral, que era para terminar oficialmente às 18h (horário de Caracas), não foi respeitado, ficando várias escolas eleitorais abertas até 1h30 após esse horário. Diversos países já não reconhecem as novas eleições presidenciais venezuelanas, como Argentina, Chile, Brasil, além dos países referidos acima. Na prática, as eleições não mudam em nada o atual cenário do país.

 

O principal candidato da oposição e dissidente do chavismo, Henri Falcón, afirma que houve fraude eleitoral e que o resultado das eleições não merece prosperar devido à falta de legitimidade, exigindo novas eleições. Falcón, apesar de ter sido do mesmo partido de Maduro no passado, o Partido Socialista Unido da Venezuela, e ter sido governador na gestão de Hugo Chávez, decidiu se juntar à oposição em 2010. Há ainda outro candidato, de menor popularidade, o pastor evangélico Javier Bertucci.

 

Por que o resultado da reeleição do governo de Maduro não tem legitimidade?


Nos locais de votação, houve a presença dos chamados “pontos vermelhos”, que são núcleos de ativismo instalados a 200 metros ou dentro dos locais de votação, proibidos por lei, que surgiram durante a era chavista. Os eleitores de Maduro vão até esses locais para registrar seus votos com o chamado “carnê da pátria”. O carnê é um documento que serve de instrumento não somente para conquistar e medir a fidelidade ao regime das classes populares, como também permitir o acesso a bônus e a alguns serviços. Essas “ajudas” seriam asseguradas pela troca de votos, permitindo-se assim o controle da população.

 

Além disso, o presidente Nicolás Maduro não possui garantias democráticas, com uma eleição que favorece o formato chavista e que reforça a ideia de que os venezuelanos devem decidir entre “votos ou balas”.

 

O que reeleição de 2018 possui de diferente em relação as eleições presidenciais de 2013?


Esta foi a primeira reeleição de fato do presidente bolivariano, inaugurando uma nova fase do regime, já que em 2013 as eleições presidenciais foi uma espécie de trâmite interno para eleger o novo líder da nação em substituição ao seu antecessor Hugo Chávez que havia falecido naquele mesmo ano. Ao mesmo tempo, esta nova reeleição também rompe de alguma forma com o legado anterior chavista, a começar pela criação de uma constituição de caráter ainda mais repressivo.

 

Os venezuelanos têm sido oprimidos pela insegurança, pela hiperinflação dos preços, pelo desmoronamento da produção petrolífera com as sanções norteamericanas e pela profunda crise social, com a falta de alimentos básicos e medicamentos, e com a população emigrando massivamente para os países de fronteira.

 

Para Maduro, a atual crise vivenciada pela Venezuela é consequência do atual entrave econômico que se estabeleceu pelos opositores orquestrado por Washington. O atual governo, que tem agora mais seis anos pela frente, tem 70% de rejeição da população e procurou novas eleições para dar legitimidade ao governo. Para os apoiadores de Maduro, a maior derrotada foi a abstenção, tendo a votação presidencial entrado para a história como um marco anti-imperialista.

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