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O que foi o histórico Maio de 1968? Esse ano ele completa 50 anos!

O que foi o histórico Maio de 1968? Esse ano ele completa 50 anos!

Conteúdo postado em 05/06/2018

Olá, amigas e amigos CACDistas!

 

Não poderíamos deixar passar incólume nosso mês de maio de 2018 sem revisarmos brevemente o histórico “Maio de 1968”.

O movimento de Maio de 1968, ocorrido na França, foi a explosão de muitas inquietações sociais, políticas e culturais em busca de mais liberdade e capacidade de expressão. As consequências desse fenômeno foram refletidas em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil e por toda a região, onde vários países viviam a ditadura militar.

 

A peculiaridade da efeméride é que as paixões que em outros momentos despertou parecem se ofuscar. Maio de 68 permanece constante na vida dos franceses. Não há movimento de protesto que não seja comparado ao de 50 anos atrás – um momento de profunda mudança social na sociedade francesa, bem como na sociedade ocidental, uma mudança irreversível tanto à esquerda quanto à direita.

 

De Paris, o movimento se espalhou pelo mundo, e, após 1968, pelo tempo. Para entender a dimensão dos eventos daquele período e sua influência sobre o presente, é preciso percorrer, ainda que brevemente, os principais acontecimentos e conhecer seus protagonistas e as críticas às pretensões dos que falaram em nome daqueles protestos, que agora completam meio século.

 

O que foi o Maio de 1968?

 

Para se entender o Maio de 68, há uma dificuldade que se explica porque o termo oferece múltiplos significados e interpretações. Em seu sentido estrito, representa o quinto mês de 1968 quando, principalmente, Paris foi palco de diversas crises que acabaram por intensificar o movimento à época.

 

A mais conhecida crise estudantil foi a que teve como palco o Quartier Latin, bairro estudantil da região central de Paris, que proporcionou as imagens mais memoráveis da revolta: os slogans imaginativos, a ocupação da Sorbonne, as barricadas e os paralelepípedos. No dia 10 de maio de 1968, um grupo de pelo menos 20 mil estudantes franceses ergueu barricadas feitas de carros virados, carteiras e outros móveis destruídos, transformando o Quartier Latin numa espécie de ilha ou de território autônomo em relação a todo o restante da capital.

 

A divisão, criada fisicamente pelos destroços acumulados ao longo de dias de protestos e de enfrentamento com a polícia representava claramente inúmeras outras divisões, mais profundas, que mantinham os protagonistas daquela geração em confronto aberto com os valores dominantes da sociedade de então. As barricadas do Maio de 1968, em Paris, representavam a separação cultural irreconciliável de duas gerações, a separação moral da sociedade e dos costumes, entre conservadores e liberais, e, ao cabo e não menos importante, a separação política e econômica do mundo de então, entre comunistas e capitalistas, no auge do enfrentamento ideológico entre esses dois blocos, protagonizados por Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

 

Percebe-se, portanto, que a expressão “Maio de 68” se refere a um conjunto de eventos espaçados no tempo e no mundo, que, na verdade, tiveram início em março, não em maio. A origem do movimento ocorreu em uma universidade em Nanterre, nos arredores de Paris.

 

Breve Histórico

 

Os eventos de Maio de 1968 se iniciaram com uma onda de debates em universidades parisienses, seguidos de ocupações, atos públicos, assembleias e protestos calorosos de rua. Essa efervescência de movimentos rapidamente evoluiu para o enfrentamento direto com a polícia e com toda a força de poder da França – seja no âmbito cultural, familiar, seja no âmbito político, jurídico e econômico.

 

A grande bandeira do movimento reunia um pacote de reivindicações que partiram de demandas pontuais dos estudantes, tais como: reformas na grade curricular, o fim da Guerra no Vietnã, o fim do capitalismo e pautas mais filosóficas como no lema “seja realista, queira o impossível”.

 

A onda de Maio de 1968 teve como primeiro e principal ator o movimento estudantil, seguido imediatamente pelos sindicatos de trabalhadores e, na sequência, por artistas e intelectuais não apenas da França, mas de muitos outros países, incluindo o Brasil. Em 22 de maio, o número de trabalhadores paralisados na França chegou a 8 milhões.

 

Muitas historiadores situam o dia 22 de março daquele ano como um ponto de partida, quando um grupo de estudantes ocupou a Universidade de Nanterre para protestar contra punições disciplinares aplicadas aos alunos que protestavam contra a Guerra no Vietnã. O movimento se disseminou rapidamente, envolvendo também, no dia 3 de maio, os estudantes da Sorbonne, em Paris, que passaram a realizar uma série de protestos de rua no bairro estudantil chamado Quartier Latin.

 

Os protestos foram reprimidos pela polícia. Entretanto, no dia 10 de maio daquele ano, o movimento resolveu pela primeira vez confrontar a polícia de maneira consistente. Naquela noite conhecida como a “Noite das Barricadas”, 251 policiais e 102 estudantes ficaram com ferimentos graves. Mais de 400 manifestantes foram presos e 60 carros foram virados e queimados em Paris. Diante da repressão policial e em solidariedade aos estudantes, sindicatos de trabalhadores do setor privado decretaram greve geral de 24 horas na França, no dia 13 de maio. A partir desse fato, o movimento extrapolou o ambiente estudantil, ganhou uma parcela importante da sociedade francesa, ampliou suas demandas e passou a ameaçar a própria sobrevivência do governo do presidente Charles de Gaulle e do primeiro-ministro, George Pompidou.

 

Cinco dias depois, trabalhadores do setor público aderiram à greve e o movimento recrudesceu também na classe artística, quando três membros do júri do Festival de Cannes – um dos mais importantes do mundo e o mais importante da França – renunciaram a seus cargos. Os diretores Alain Resnais e Carlos Saura retiraram seus filmes da competição e a edição daquele ano foi cancelada. Em 22 de maio, o número de trabalhadores paralisados na França chegou a 8 milhões. Em 30 de maio, De Gaulle dissolve o parlamento e convoca novas eleições, das quais sai vencedor e ainda aumenta sua base parlamentar, o que mostra a força do apoio contrário ao movimento – a chamada de “maioria silenciosa”.

 

 

Protagonistas

 

Na França, Daniel Cohn-Bendit foi um dos rostos de Maio de 1968. Ele era estudante de sociologia na Universidade de Nanterre, aos 23 anos, quando assumiu a função de porta-voz do Movimento de 22 de Março, grupo que protagonizou o estopim dos protestos que levariam ao Maio de 1968 em Paris.

 

Era conhecido como Dany Le Rouge (Dani, o vermelho). O nome se referia tanto à cor dos cabelos de Cohn-Bendit quanto à sua adesão à esquerda embora, hoje, ele seja ligado ao Partido Verde da Alemanha. Na universidade, Cohn-Bendit era adepto dos grupos anarquistas. Um episódio marcante de sua liderança entre os estudantes se deu quando ele interrompeu o discurso do então ministro para a Juventude, François Missoffe, que inaugurava uma piscina na Universidade de Nanterre, para reivindicar livre acesso dos estudantes aos dormitórios femininos, já que a liberdade sexual era uma das bandeiras do movimento desde os primórdios.

 

Ao lado de Cohn-Bendit estava Jacques Sauvageot, estudante de história da arte, então com 25 anos, e vice-presidente da União dos Estudantes Franceses, instituição que ele presidiu de 1968 a 1971. Sauvageot era um militante de esquerda não comunista. Ele foi preso nos primeiros protestos no Quartier Latin, em 3 de maio de 1968. Ao sair da prisão, poucos dias depois, passou a liderar grandes marchas em Paris, com a participação de estudantes e de trabalhadores.

 

Alain Geismar, então com 28 anos, completava o trio francês, como líder estudantil, membro dos Estudantes Socialistas Unificados e estudante do curso de física e mineralogia em Paris. Em 1967, tornou-se secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Ensino, seguindo caminho no movimento sindical. Assim como Cohn-Bendit, Sauvageot e Geismar na França, muitos outros jovens líderes despontaram em movimentos contemporâneos semelhantes, em muitas outras partes do mundo.

 

O Brasil estava em plena ditadura militar. Por essa razão, o movimento brasileiro de maio de 1968 não esteve restrito apenas a grupos estudantis, mas também estava presente na formação de grupos armados revolucionários contra o status quo.

 

É exatamente em 1968 que se forma a Aliança Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella. Na sequência, vários outros grupos seriam formados, como a Política Operária (Polop), o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

O protagonismo brasileiro pode ser ilustrado por nomes como de José Dirceu um egresso do curso de direito da PUC de São Paulo que, em 1965, se torna vice-presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Em 1967, passou a presidir a UEE (União Estadual dos Estudantes), em São Paulo. Em 1968, cinco meses depois de os estudantes franceses sacudirem Paris, Dirceu foi preso no Congresso de Ibiúna. Em 1969, ele e outros 14 presos políticos foram libertados, em uma barganha histórica pela libertação do embaixador americano no Brasil Charles Burke Elbrick que havia sido sequestrado por grupos guerrilheiros formados por outros jovens militantes da época, entre eles, Fernando Gabeira.

 

Depois de um exílio em Cuba, Dirceu retorna ao Brasil em 1971. Após a redemocratização, já nos anos 1980, dedica-se à estruturação do PT (Partido dos Trabalhadores), partido que presidiu entre 1995 e 2002. Em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assume a Presidência do Brasil pela primeira vez, Dirceu fica à frente da Casa Civil. Deixa o cargo, porém, em 2005, acusado de participar do esquema de compra de apoio parlamentar conhecido como “mensalão”. A cassação do mandato de deputado federal tornou-o inelegível por 10 anos. Em 2015, é condenado pela primeira vez em outro escândalo, o da Lava Jato, acusado de desvios na Petrobras.

 

Já Palmeira era estudante de direito no Rio de Janeiro e, em 1964, participava do movimento estudantil na então Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Chegou a presidir a UME (União Metropolitana dos Estudantes), à frente da qual liderou passeatas importantes. Foi preso seguidas vezes até exilar-se em 1969, vivendo no México, em Cuba, no Chile e na Bélgica.

 

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Até a próxima!

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