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Seria o fim da Era Castro e dos ideais da Revolução com o novo presidente de Cuba?

Seria o fim da Era Castro e dos ideais da Revolução com o novo presidente de Cuba?

Conteúdo postado em 24/04/2018

Dia 19 de abril: mais um dia de história para Cuba


Na quinta-feira, dia 19 de abril, Cuba abre um capítulo incerto de sua história: foi eleito com 99,83% dos votos da Assembleia Nacional do Poder Popular e anunciado pela presidente da Comissão Eleitoral Nacional cubana o novo presidente do Conselho de Estado de Cuba, Miguel Díaz-Canel, cargo que representa simultaneamente o chefe de Estado e de governo do país, tendo como primeiro vice-presidente Salvador Valdés Mesa, para substituir o então general Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, que permaneceu 12 anos no poder. Ele foi o único candidato proposto pela Comissão de Candidaturas Nacional (CCN) para assumir o Conselho de Estado.

 

O Conselho é o principal órgão de governo de Cuba, sendo composto por cinco vice-presidentes, um secretário e outros 23 integrantes. Um fato interessante foi justamente o dia em que Raúl Castro resolveu deixar a presidência cubana, isto é, dia 19 de abril, que para nós enquanto brasileiros esta data representa o dia do índio, para aqueles que desconhecem essa informação, para os cubanos esta data é de grande importância na ilha, já que foi o dia em que os EUA foi derrotado na fracassada invasão da Baía dos Porcos em 1961, representando simbolicamente para o governo cubano a primeira derrota do imperialismo na América.

 

 

Trajetória de Díaz-Canel e o ato de adeus da “geração histórica” dos irmãos Castro


Díaz-Canel foi Ministro da Educação entre 2009-2012 e primeiro vice-presidente do governo de Raúl Castro, e iniciará um mandato de cinco anos, podendo ser prorrogado por mais outros cinco, ou seja, com direito apenas a uma recondução. Apesar de ser a primeira vez depois de cinquenta e nove anos que uma nova pessoa chega ao topo do Estado após quase seis décadas de poder exclusivo dos irmãos Castro, Díaz-Canel ainda se encontra sob tutela do presidente anterior que atuará como primeiro secretário do Partido Comunista até 2021, instância máxima de tomada de decisões no país e que está acima do Conselho de Estado, de acordo com a constituição cubana. Além disso, Raúl também continuará sendo chefe das Forças Armadas.

 

O ato de adeus da “geração histórica” dos irmãos Castro parece que só ocorrerá de fato por meio de duas formas distintas: ou quando Raúl Castro sair definitivamente do comando do Partido Comunista ou através de seu falecimento.

 

Desafios do novo presidente no âmbito econômico e político


O novo presidente apresenta um discurso linha-dura contra dissidentes e inimigos da Revolução e representa um propagador da linha revolucionária e socialista e dos processos de reformas iniciados por Raúl Castro durante seu governo, como a abertura da economia cubana à pequena iniciativa privada, a reaproximação das relações diplomáticas com os EUA, seu antigo inimigo da guerra fria, e o maior desafio de todos: a reforma do sistema monetário cubano visando acabar com o câmbio duplo sem a ajuda externa de órgãos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

 

O que se sabe é que hoje o investimento estrangeiro não vem sendo impulsionado, o que acaba por intensificar a crise econômica na ilha e as relações com os EUA estão cada vez mais prejudicadas desde a saída de Obama da presidência, com a deterioração das relações bilaterais diplomáticas por Donald Trump. Uma das principais metas do novo presidente deverá ser identificar novos parceiros econômicos e eles já estão latentes, com a China, se projetando como seu melhor recurso comercial e financeiro, a Rússia, com a sua contribuição no campo energético, e a Coreia do Norte, com convênios de cooperação em diversos setores, entre eles a educação, o petróleo, a agricultura e o comércio.

 

Não obstante os processos de reformas acima mencionados, pode ser que o novo presidente ainda enfrente na esfera política uma importante alteração constitucional, que faria com que Cuba saísse do eixo do unipersonalismo, a exemplo dos irmãos Castro que foram presidente do Conselho de Estado e de Ministros e primeiro secretário do partido, todos os cargos simultaneamente, para um eixo mais coletivo, sob a forma de uma liderança mais descentralizada.

 

Días-Canel: a simbologia de uma transição ou mais do mesmo?


A transição do poder não empolga os cubanos, muito pelo contrário, muitos até ainda não sabem que um novo presidente foi eleito, principalmente as gerações mais novas. A oposição critica a nomeação dizendo que será mais do mesmo por ser uma imposição do governo anterior liderado por Raúl e que não deveria ser reconhecida internacionalmente, assim como acredita que com o desaparecimento da “geração histórica” por não ser um Castro, não ter participado da Revolução Cubana (já que este nasceu um ano após o fim da revolução) e não ser um militar de carreira, com o uso da famigerada farda verde azeitona (base do regime castrista), seja possível que o povo consiga abalar o regime por meio de mais protestos e manifestações.

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